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Portal Cultura Alternativa - Síndrome do Fim do Ano: como o período de festas pode afetar a saúde do coração

Síndrome do Fim do Ano ou dezembrite -

Estudos apontam que na época do fim do ano casos de ansiedade e depressão aumentam e trazem consigo males à saúde cardiovascular

Contagem regressiva para 2019. Enquanto a época das festas de fim de ano deixa uma parte da população mais feliz e cheia de esperanças para o início de um novo ciclo, outra parte é tomada por sentimentos como ansiedade, tristeza e melancolia.

Segundo uma pesquisa da International Stress Management Association, o estresse individual aumenta 75% e atinge 80% da população no período que vai da última semana de novembro até o fim de dezembro.

Por isso, nos prontos-socorros há aumento dos casos relacionados à ansiedade e depressão.

 

Síndrome do Fim do Ano ou dezembrite

O fenômeno, que é conhecido como “Síndrome do Fim do Ano” ou “dezembrite”, pode afetar não só o emocional, mas também o fisiológico. De acordo com o cardiologia do Instituto do Coração de Taguatinga (ICTCor), Dr. Henrique Maia, o responsável por isso é o hormônio que estes sentimentos liberam no organismo.

 

“Estados emocionais como esses liberam cortisol no sangue. Níveis elevados deste hormônio causam aumento da frequência cardíaca e do nível de açúcar no sangue, diminuição da produção de insulina e constrição dos vasos sanguíneos. Isso pode trazer problemas como diabetes, hipertensão, infarto e derrames”, explica.

 

Por conta disso, o especialista garante que não basta só cuidar do corpo, é importante também cuidar da mente. A dica serve para quem é fisiologicamente saudável e, principalmente, para quem já tem alguma doença cardíaca.

“Os pacientes reagem às doenças cardíacas de formas diferentes. É comum que apareçam mecanismos de defesa como negação, deslocamento ou agressividade. O acompanhamento psicológico é de grande ajuda, tanto no processo de aceitação do problema de saúde, tanto na melhora da adesão ao tratamento, que nem sempre é simples”, relata Dr. Henrique.

 

Síndrome do Fim do Ano ou dezembrite – Porque isso acontece?

Afinal, porque uma época que carrega uma tradição tão positiva causa, para alguns, sentimentos prejudiciais? De acordo com a psicóloga do corpo clínico do ICTCor, Marianna Cruz, isso se dá pelo simbolismo de fechamento de ciclo, que traz reflexões do desempenho e aproveitamento que cada pessoa fez do seu tempo.

 

“Se a pessoa não viveu dentro de seu propósito de realizações, é comum que ela entre em um ciclo de autocobrança intensa. A insatisfação mina as energias e prejudica a autoconfiança e autoestima das pessoas. Esse processo costuma acontecer também em vésperas de aniversário”, relata.

 

 Síndrome do Fim do Ano ou dezembrite – Como evitar?

Uma vez que é inevitável passar por esta época do ano, como blindar o coração dos males que algum desequilíbrio psicológico pode vir a trazer para ele?

Marianna recomenda o desenvolvimento de uma postura mais respeitosa, amorosa e compreensiva consigo mesmo.

“É importante entender que a autocobrança não é uma qualidade. Ela impede que nós façamos mudanças e reconheçamos o que temos de bom, nossas conquistas”, garante a psicóloga, que compara a prática da autocobrança com andar em um carro com o freio de mão puxado.

Ainda segundo a especialista, o primeiro passo para isso é ser grato. “A gratidão é uma das forças fundamentais para o fortalecimento da saúde emocional do ser humano.

O hábito de agradecer traz bem-estar, aumenta a autoestima e, consequentemente, traz forças para gerar mudanças. Respeite suas limitações, se valorize e agradeça pequenas conquistas”, indica.

Para finalizar, Marianna ressalta a importância de procurar um profissional. “Caso a pessoa não consiga colocar isso em prática sozinha, a psicoterapia é extremamente indicada”, garante, reafirmando que o acompanhamento psicológico é essencial, principalmente para os cardiopatas.

“Passar por momentos emocionalmente difíceis pode agravar bastante quadros de doenças cardíacas, mesmo naqueles pacientes que mantenham hábitos saudáveis. É preciso ter um equilíbrio entre mente e corpo, com acompanhamento cardiológico e psicológico”, recomenda.

 

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